31 de novembro de 1896
Querido Henry,
Já faz 1 mês que cheguei a Romênia. Sei que você espera uma carta empolgada e a promessa de uma grande história a ser escrita. Eu tinha uma grande história, mas agora não vejo mais sentido em apresentá-la a qualquer público. De qualquer forma, vou contá-la a você, pois como meu amigo, entenderá minha melancolia. Se não desejar ouvir tantas tristezas, não o julgo. Apenas me escreva com notÃcias de Londres! Eu ficarei por aqui, não desejo ver ninguém e nem ser visto! Talvez em algum momento lhe diga o endereço e permitirei que me visite, mas não agora!
Bem, se deseja continuar a carta, vou lhe contar minha aventura, mas já digo que vai chorar, sensÃvel como você é.
Quando cheguei a tal floresta de Strigoi, depois de uma semana na casa do querido Arthur em Bucareste, há exatamente um mês, entendi o motivo de a qualificarem como assombrada. O lugar é dos mais tristes, só de olhar já queremos ir embora. Mas me controlei, na esperança de uma grande inspiração. Quando, após me instalar na pequena casinha, que mais parecia um chalé, fui explorar a floresta, comecei a entender a beleza do lugar. A luz da lua era poética e as árvores pouco a pouco se tornavam menos ameaçadoras. E quando me aproximei de um lago, que por algum motivo me chamou atenção, eu a vi.
Ela era uma moça de rosto atemporal. Podia ter 18 anos da mesma forma que podia ter 40. Vestia vermelho, estava descalça e seus cabelos pretos voavam com o vento. Ela me viu também, e riu uma gargalhada infantil. Me senti um palhaço num circo, cercado por uma audiência que não me levava a sério. Aquilo me ofendeu.
- O que a moça faz aqui sozinha? Mora por perto?
- Moro! E na verdade, faz tempo que não estou acompanhada- foi a resposta dela. Estranha. Seria ela uma jovem órfã? Ou uma viúva? Em qualquer caso, decidi não comentar a questão, para evitar indelicadezas
- Por que riu quando me viu? - questionei, achando isso mais pertinente
- Pois nunca vi humano querer vir para essas áreas! - olhei-a de cima a baixo quando ela disse essa frase, procurando traços de algo não humano nela
- E a senhorita acredita ser o que? Pois a vejo muito humana!
- Ah, sou mais humana que muitos!
E então, desapareceu. Para onde ela foi? Até hoje não sei. E naquele momento, não sabia se a veria novamente.
Esse é o inÃcio de minha historia, caro Henry. Escreverei mais, porém agora sinto que devo deixá-lo esperando um pouco. Esses são acontecimentos que devem ser digeridos, não podem ser ditos de uma vez! Além do mais, não quero que a carta fique demasiadamente longa!
Escreva- me!
Seu amigo para todo momento, Eddie
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