Addy
No fim de semana depois que meu cio passou, mandamos uma mensagem para a matilha de Tate. Queremos fazer uma visita. Estou andando pelo quarto, meu olhar pousa na cama desarrumada. Memórias da semana passada tomam conta de mim. Ele estava certo sobre não sairmos do quarto. Mal conseguÃamos comer quando a comida era trazida porque estávamos ocupados demais transando. Visto uma bela camisa e shorts e sento no sofá para calçar os sapatos.
Ele sai do banheiro, com o cabelo ainda molhado e vai até o armário escolher suas roupas. Ele se senta ao meu lado, com um sorriso no rosto. Eu sei o que ele está pensando. Todo o tempo que passamos na cama, ele ficou emocionado por fazer tanto sexo comigo. Mas estou dolorida nos últimos dias. Não me interprete mal, foi incrÃvel, mas transar sem parar por uma semana pode prejudicar o corpo. Drake também mencionou estar um pouco dolorido e ferido, mas isso nunca afetou o seu desempenho.
"Quanto tempo vai levar pra chegarmos lá?" Eu pergunto, observando-o vestir um short.
"Umas duas horas," ele responde, vestindo a camisa. "Vai demorar quase uma hora só pra sair das nossas terras. A casa da matilha deles fica bem no meio do território. Assim que sairmos da estrada principal, vai levar cerca de trinta minutos pra chegar lá."
Eu me recosto no sofá. "Eu sinto falta dela. As pessoas têm sido legais comigo, mas não é a mesma coisa." Sinto falta dos dias em que podÃamos simplesmente vagar por aà sem nenhuma preocupação no mundo. Agora, temos responsabilidades em nossas matilhas que nos deixam com pouco tempo para conversar. Liguei para ela algumas vezes, mas ela sempre tinha que desligar, ou o Drake precisava da minha ajuda com alguma coisa. A mãe dele tem me ensinado tudo que preciso saber antes de eles deixarem o cargo. Não é tão complicado quanto eu pensava, mas é cansativo tentar terminar a escola e ter aulas com ela à noite. Drake se levanta e estende a mão para mim.
"Pronta pra ver a nova matilha dela?" Ele pergunta, pegando na minha mão.
Ele me puxa para perto e me dá um beijo rápido assim que ouço uma batida na porta. Ryan e Kevin entram.
"Vamos curtir a viagem, certo?" Ryan diz, balançando as sobrancelhas, me fazendo rir.
Kevin olha ao redor do quarto. "Cara, esse quarto é muito melhor que o meu."
Drake sorri. "Você esperava que o lÃder da matilha vivesse num lugar simples? O quarto dos meus pais é ainda maior que esse."
Kevin assente lentamente. "Ouvi dizer que os membros de alto escalão conseguem os melhores quartos na casa da matilha. Ainda estou dividindo o quarto com o Mark."
Drake esfrega o queixo pensativamente. "Ryan, aquele quarto abaixo do seu ainda tá disponÃvel?"
Os olhos de Kevin se arregalam quando o Ryan assente. "Sim, eles se mudaram quando a filha encontrou seu companheiro no fim de semana passado. Eles foram pra matilha do Tate com ela."
Drake assente. "Kevin, já que a sua classificação é mais alta agora, você pode se mudar pro antigo quarto deles. O guarda-costas da minha companheira deve ter um bom quarto só pra ele. Assim, se você encontrar a sua companheira, ela poderá morar com você sem termos que reorganizar os quartos."
A boca do Kevin se abre enquanto os outros dois caras riem de sua expressão.
"Eles podem fazer a mudança enquanto visitamos a outra matilha hoje. Drake, você se certificou de que esses dois fizeram uma mala pra passar a noite, caso demore mais do que esperamos, certo?" pergunto, esfregando seu braço com os dedos.
Kevin e Ryan acenam para mim. "Sim, ele nos disse antes pra levarmos trocas de roupa. Ele não tinha certeza de quanto tempo ficarÃamos lá por causa da conversa que eles querem ter com todos nós," diz Ryan.
Sorrio para eles e tento pegar a minha bolsa, mas o Drake a pega antes de mim. Ele a joga por cima do ombro e sai pela porta, pegando a minha mão com a mão livre. Todos nós seguimos para a entrada da garagem onde seu carro está esperando. Ele abre a porta para eu sentar no banco da frente enquanto o Ryan coloca as nossas malas no banco de trás. Ryan, então, fica atrás do Drake enquanto o Kevin senta no banco atrás de mim. Olhando para trás, vejo outro carro nos seguindo, cheio de mais homens.
"Drake," eu digo, batendo em seu braço, "pra que serve o outro carro?"
"Segurança extra. Estamos entrando em território desconhecido. Como Alfa, sempre levo guerreiros extras pra apoio, se necessário." Ele pisca para mim antes de ligar o carro.
SaÃmos dos portões e seguimos pela longa estrada antes de virar à esquerda e sair do nosso território. Conversamos para passar o tempo. Kevin aprende mais sobre mim e eu aprendo mais sobre ele e o Ryan. Ambos ainda esperam encontrar suas companheiras. Eles fazem todo tipo de perguntas sobre como foi eu me tornar uma lÃder depois da vida que tive. O tempo passa rápido enquanto conversamos, ouvimos música e cantamos. Assim que chegamos a um portão enorme, os carros param em uma guarita e o Drake abaixa a janela.
"O que te traz aqui?" o guarda mais velho pergunta.
"Temos uma reunião com o Alfa Tate. Eu sou o Alfa Drake; minha companheira Addy, meu Beta Ryan e seu guarda-costas estão neste carro. O outro carro tem alguns guardas extras pra nós," diz ele, apontando pela janela.
Os olhos do homem ficam vidrados por um momento antes de ele recuar. "Abram os portões," ele ordena. "O Alfa está esperando por eles."
Os grandes portões de ferro se abrem para nos deixar entrar. Enquanto dirigimos pela longa estrada de terra, me sinto atraÃda pela floresta que cerca a área. Mystic se agita na minha mente e tento acalmá-la.
'O que tá acontecendo?' Eu pergunto, franzindo as sobrancelhas.
Ela se senta, olhando para a floresta enquanto passamos. "Precisamos ir até lá assim que todos estiverem acomodados. Alguma coisa tá me chamando e preciso ver o que é."
"Addy," Drake diz, me tirando dos meus pensamentos, "o que foi?"
Balanço a cabeça, tentando limpar a névoa mental em que ela me colocou. "A Mystic quer explorar a floresta antes de partirmos. Ela disse que tem algo lá que ela precisa verificar."
Seus olhos examinam a floresta antes de retornar à estrada. "Se o Tate nos permitir explorar, ok. Mas lembra, essa não é a nossa terra. Estamos no território dele agora e temos que seguir as suas regras."
Concordo com a cabeça, reconhecendo as palavras, e volto a minha atenção para a estrada que se abre para uma pequena cidade encantadora. Passamos por empresas, lojas e pequenas lanchonetes antes de chegar a uma grande área com a casa da matilha no meio. Não é tão grande quanto a nossa, mas ainda assim é impressionante. A Myra está parada na varanda da frente, acenando.
Ela corre e me puxa para um abraço assim que saio do carro. "Já era hora de você chegar. Eu sei que não faz tanto tempo, mas parece uma eternidade."
Drake dá a volta no carro, olhando para ela com uma expressão triste. "Você vai dar todo o seu amor pra minha companheira e vai me ignorar?"
Ela ri e corre até ele, e ele a abraça com força. Tate sai para a varanda com um sorriso, seguido pelo Soloman.
"Bem-vindos à matilha Red River. Eu sei que a nossa casa não é tão impressionante quanto a sua, mas é o suficiente pra mim," diz ele, me dando um abraço gentil.
Soloman é o próximo, me dando um breve abraço antes de sussurrar no meu ouvido: "Eu sei que a Mystic quer explorar. Essa área mudou muito, mas podemos ir depois do jantar."
"Como você sabe?" Eu pergunto, dando um olhar surpreso.
Ele ri. "Eu conheço você melhor do que você pensa. Ela sempre amou essa terra e ela emite vibrações quando quer fazer alguma coisa."
Tate se aproxima de nós. "Eu também senti. Essa terra era diferente há mais de mil anos, mas algumas coisas ainda a atraem. Não explorei todas as minhas terras, mas podemos dar uma volta mais tarde essa noite, antes que escureça."
Nós os seguimos para dentro de casa enquanto os homens pegam as nossas malas. A casa é semelhante à nossa, mas mais antiga. Dá para ver que não passa por uma reforma há algum tempo. A madeira marrom escureceu com o tempo, e as janelas, embora limpas, estão dispostas de uma forma que mostra que não houve muita atualização recentemente. Ele nos leva escada acima até o segundo andar e por um longo corredor. Ele para em algumas portas, dizendo aos nossos seguranças onde ficam seus quartos antes de retornar ao corredor. Então, ele para em frente a uma porta preta e se vira para o Ryan.
"Esse é o seu quarto. O Kevin vai ficar do outro lado do corredor, aqui," diz ele, apontando para outra porta.
Os dois vão para os quartos e nós os seguimos pelo corredor. Eventualmente, ele para em uma porta com um tom avermelhado, gira a maçaneta e a abre suavemente. Entro no quarto, um assobio baixo escapa dos meus lábios.
"Uau, que demais," eu digo, observando o quarto amplo.
Drake se move para ficar atrás de mim, sua mão encontrando a minha cintura. "à ótimo. Obrigado."
Tate acena com desdém. "Reservo esse quarto pra visitantes de alto escalão. Principalmente Alfas, mas não costumamos receber muitas visitas. Recebemos convidados ocasionalmente, mas é raro."
Ele se vira, pegando a mão da Myra.
"Quando vamos jantar?" Eu pergunto.
"Ainda faltam algumas horas. Fiquem à vontade pra explorar. Nossa casa não é tão grandiosa quanto a sua, mas dá pra passear. Informei a patrulha da fronteira sobre nossos hóspedes pra que eles não ataquem se virem vocês por aÃ," diz ele, antes de sair do quarto e fechar a porta atrás deles.
Drake vai até a janela, espiando o quintal. Eu me junto a ele, nossos olhos absorvem a vista deslumbrante. Depois de um tempo, decido quebrar o silêncio.
"Eu sei que isso não é o que você tinha em mente pro futuro da sua irmã, mas o Tate parece ser um cara decente," eu digo, brincando com um dos meus dedos.
Ele olha para mim, com uma pequena carranca no rosto. "Não é isso que tá me incomodando. Algo aqui tá deixando o meu lobo inquieto. Quando cruzamos o território, o Diego começou a perambular, sentindo que algo tava errado. Ainda não consigo identificar, então quero que você fique perto de mim enquanto estivermos aqui. Esse Ewart, ou qualquer forma humana que ele assumiu, tá me deixando desconfortável. Tenho a sensação incômoda de que ele tá escondido em algum lugar, esperando a hora certa. Quantas formas diferentes ele assumiu ao longo do tempo?"
Mystic inclina a cabeça, imersa em pensamentos antes de respondermos. "Ele só esteve nos mesmos lugares que eu três vezes, pelo que sei. Uma vez, quando a Phebe seduziu meu companheiro, na tentativa de matar o Soloman, e quando fui sequestrada pra que ele pudesse me drenar antes de assumir os poderes da Mystic. Todas as outras vezes, ele nunca mostrou o rosto. Ele era o Alfa da matilha que atacou o Soloman. Quando Axton foi seduzido, ele era o conselheiro do rei. A última vez que fui sequestrada, ele era tenente do exército, pra poder se aproximar de mim. Não tenho certeza de que forma ele poderá assumir dessa vez. Ele poderia estar na nossa matilha, na do Tate, ou numa matilha vizinha. Mas há uma maneira de identificá-lo."
Drake se vira para me encarar completamente. "Me conta, pra que eu possa ficar atento aos sinais."
Respiro fundo. "Seus olhos são sempre prateados, seja em forma de lobo ou humano. Ele também tem cabelo preto; seu lobo é prateado e preto. Essa é a única maneira de identificá-lo; nunca muda."
Drake assente, me puxando para mais perto. "Se ele se atrever a se aproximar de nós, vai ser destruÃdo. Essa é a minha promessa; ele não vai encostar um dedo em você."
Mystic bufa. "Essa é uma promessa que você vai ter que cumprir mais cedo ou mais tarde. O Drake vai lutar pela sua vida e pela nossa se eu não conseguir completar essa missão antes que ele apareça." Seu tom áspero provoca um arrepio na minha espinha. Só espero que possamos encerrar isso antes que ele entre na jogada.
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