Addy
Uma hora depois de correr, a porta dos fundos se abre, nos convidando a voltar para dentro.
"Addy, vai em frente e se troca primeiro," sugere o Diego.
Entro na sala, meu corpo volta à sua forma humana. Meus ossos estalam enquanto se reorganizam e vejo o meu reflexo no espelho. Meu corpo está completamente curado, sem um único hematoma ou arranhão à vista. Coloco o vestido surrado que deixei aqui.
Diego entra em seguida, no momento em que a porta se abre.
"Onde você tava? Fiquei muito preocupada!" A voz da Myra soa, cheia de preocupação.
Saindo totalmente vestido, o Drake responde: "Ela tava comigo, Myra. Não precisa brigar com ela por desaparecer."
A Myra se vira para encarar o irmão. "Eu sei disso, mas por que não pude me juntar a vocês dois na corrida? Eu nunca vi a forma de loba dela."
O Drake ri levemente. "Ela não vai a lugar nenhum, Myra. Você terá muitas oportunidades de ver a loba. Agora, vamos comprar roupas."
Meus olhos se arregalam de surpresa. "Por quê? Não quero ser uma interesseira, gastando o seu dinheiro."
Ele atravessa a sala e me puxa para os seus braços. "Você é a minha companheira, Addy. O que é meu é seu. Sei que os seus pais nunca te deram muita coisa, então é minha responsabilidade garantir que você tenha tudo o que precisa."
"Além disso," a Myra interrompe, "eu prometi que comprarÃamos um vestido pra minha festa. Ele me disse na escola que irÃamos fazer compras depois da última aula, então vou junto como a sua conselheira de moda. Você pode escolher o que quiser, Addy."
Lágrimas brotam nos meus olhos. A Myra sempre me apoiou, mas ter um homem que me respeita do jeito que eu sempre quis é uma sensação maravilhosa.
"Tudo bem, vou deixar vocês me comprarem algumas coisas," eu digo, estreitando os olhos para os dois.
O Drake me puxa contra seu peito quente, sua cabeça desce até a minha orelha. "Sem chance. Vamos encher o meu armário com tudo que você precisar."
Eu endureço com as suas palavras. Ele deve sentir o meu desconforto porque seus braços me apertam.
"Por que eu tenho que me mudar pro seu quarto? O que você espera de mim?"
Seus lábios roçam a minha orelha suavemente. "Eu sei que você ainda não tá pronta pra nada. Quando você estiver, completaremos o processo de acasalamento. Mas antes disso, tem outras coisas a serem feitas. Primeiro, precisamos te apresentar oficialmente à matilha, coisa que deveria ter sido feita há muito tempo. E precisamos descobrir por que o seu pai não permitiu isso quando você atingiu a maioridade.
Eu caio em seus braços. "Você não precisa perguntar pra ele. A resposta vai ser a mesma de sempre. A ~rejeitada~ ~não merece. Ele provavelmente vai me menosprezar."
Um grunhido baixo ressoa em seu peito. "Isso precisa ser corrigido. Agora."
Ele agarra o meu pulso e me leva para fora, até seu carro. Ele olha para a Myra e estala os dedos. "Eu dirijo," declara ele.
A Myra tira as chaves do carro do bolso. Nós nos movemos para entrar na parte de trás de seu carro, mas ele balança a cabeça, apontando para o assento ao lado dele. Ela ri e sobe no banco de trás. Tento segui-la, mas ela bate a porta na minha cara e aponta para o banco da frente.
"Nem ferrando, Addy. Senta aà na frente, antes que ele perca a paciência. Ele não vai deixar você sentar aqui comigo."
Solto um suspiro frustrado e cruzo os braços, mostrando a lÃngua para ela. De repente, um par de braços envolve a minha cintura, me fazendo pular. A porta da frente está aberta e sou gentilmente levantada do chão e colocada no banco da frente.
"Minha irmã tá certa; seu lugar é do meu lado."
Seus olhos são tão claros quanto o oceano, e me vejo perdida neles. Seu cheiro está mais forte agora, e me pergunto por que não percebi antes.
"Você não precisava me levantarâ¦," ele sorri.
Seu perfume me envolve como um cobertor quente. Respiro fundo e solto um pequeno gemido. Ele sorri lentamente, se inclinando para inalar o meu cheiro.
"Qual é o meu cheiro pra você?" Ele pergunta e seus olhos encontram os meus.
Respiro fundo novamente. "Couro e eucalipto. Como se você estivesse correndo pela floresta com a matilha depois de uma chuva. à um cheiro tão limpo e nÃtido. Eu poderia sentir esse cheiro a quilômetros de distância."
Ele aproxima seu rosto do meu. "Você tem um cheiro incrÃvel também. Sempre adorei o cheiro de madressilva. Acho que a Deusa da Lua tava me preparando pra sentir o cheiro da minha companheira. Quando senti hoje de manhã, fiquei tão feliz que era o perfume que eu tanto adoro..."
Eu me recosto no banco, tentando colocar alguma distância entre nós. "Eu sempre gostei do seu cheiro também. Não sentia tanto o cheiro de couro, tirando quando você passava por aqui no inverno vestindo aquela jaqueta marrom. Eu sempre dava uma cheirada no ar depois que você ia embora."
Ele aperta meu cinto de segurança antes de fechar a porta e passar para o lado do motorista. Ele senta, liga o carro e joga as chaves de volta para a Myra. Enquanto ele vai embora, meus olhos se arregalam quando vejo para onde estamos indo.
"Não, não podemos ir pra minha casa. Meus pais vão ficar furiosos," protesto, puxando o seu braço.
Ele aperta o volante com mais força, um sorriso malicioso brinca em seus lábios. "Eles não queriam que você saÃsse de casa hoje pra ir morar com o seu companheiro? Se houver alguma coisa que você queira levar pra casa, nós vamos pegar agora, antes de irmos à s compras."
Me viro para olhar pela janela. "Eles vão me odiar por ser a nova Luna da matilha. Não sei se eles vão aceitar..."
Sinto a sua mão tocar suavemente na minha perna, enviando uma descarga elétrica pelo meu corpo. Ele ri quando a sua mão pousa no meu quadril.
"Você precisa parar de ficar tão nervosa. Sinto essa necessidade de tocar você o tempo todo agora," diz ele, com sua mão grande apoiada em mim.
"Desculpa," eu sussurro. "Seu toque envia uma corrente pelo meu corpo e me faz pular."
Ele balança a cabeça, sua mão se move ligeiramente. "Eu sinto a mesma coisa. à uma sensação gostoso e muda quanto mais eu toco em você."
Enquanto ele diz isso, o choque se transforma em um formigamento, aquecendo meu corpo. Sinto a sua mão tremer um pouco antes de parar. A Myra nos observa atentamente do banco de trás.
"Se é isso que o vÃnculo de companheiros faz, mal posso esperar pra encontrar o meu. Quando você tá planejando fazer a cerimônia de marcação com ela, irmão?" ela pergunta, com os olhos brilhando.
Minhas bochechas coram com a menção da cerimônia de marcação. Isso nos selará oficialmente como casal. A festa irá até de madrugada e depois ele me levará para a sala de marcação, se houver. Caso contrário, iremos para o quarto dele, onde acasalaremos pela primeira vez, e ele me marcará como a mulher dele.
Ele tosse e tira a mão do meu quadril. "Mana, vai ser neste verão. Não vamos apressar as coisas; ela vai me avisar quando estiver pronta pra essa etapa."
Ouço um murmúrio vindo do banco de trás. "Se eu encontrar o meu companheiro nesse fim de semana, faremos a cerimônia no dia seguinte."
Seu irmão rosna. "Isso se eu aprovar o seu casamento primeiro. Ele tem que ser um futuro Beta ou Alfa, e espero que ele não seja do bando que não nos damos bem."
Ela ri. "A Deusa da Lua pode me emparelhar com um inimigo, hein? Poderia trazer paz entre as duas matilhas que não se gostam."
Ele geme. "Espero que não. Não gosto do futuro Alfa dessa matilha. Teremos que trabalhar juntos, mas tê-lo por perto nas reuniões familiares não será agradável."
Ela bufa de frustração. "Se ele se tornar o meu companheiro, você não vai ter escolha. Ele pode mudar quando acasalar comigo. Muitos jovens Alfas são como você, irmão. Eles brincam com mil mulheres até encontrarem a pessoa certa."
O rosnado que vem de seu peito é tão alto que faz as janelas tremerem. Eu acho que elas podem quebrar. Coloco a minha mão em seu braço e o rosnado para imediatamente. Seus olhos se fixam nos meus, mudando de tom, me mostrando que ele está de volta ao controle.
"Calma aÃ, garotão. Eu sei cuidar de mim mesma. Você não precisa ser um irmão superprotetor. Vamos ver se sinto um cheiro bom na festa. Vamos fazer essa visita com esses pais idiotas que não dão a mÃnima pra filha deles!" Ela se recosta na cadeira.
Seu olhar pisca, um sinal claro de seu desconforto com a minha declaração anterior. Ao entrarmos na minha garagem, ele inspira profundamente, fechando os olhos por um momento antes de reabri-los.
Ele se vira para mim e pega na minha mão. "Farei o meu melhor pra manter a calma enquanto estivermos aqui. Se você me vir perdendo o controle, toca no meu braço, peito ou costas. Vai me ajudar a recuperar o controle do Diego. O seu toque tem um efeito calmante sobre nós, como você viu antes. Quantas coisas você precisa pegar no seu quarto?"
Balanço a minha cabeça lentamente. "Não muitas. A maioria das coisas que tenho aqui não significa muito pra mim. Só algumas fotos e material escolar que quero levar."
Ele assente, entendendo. "Precisaremos ir às compras em breve, pra que eu não me atrase para a reunião com meu pai. Queremos que você se junte a nós. Isso vai te dar uma boa noção de como meu pai administra o bando e como precisaremos administrar as coisas quando assumirmos o controle."
Baixo o meu olhar para o chão. "Não tenho certeza se isso é uma boa ideia. Tenho muito o que aprender com a sua mãe sobre o que se espera de mim nessa função. Tem certeza de que a minha presença não vai te distrair do que você precisa fazer?"
Ele joga a cabeça para trás, rindo. Quando ele olha para mim novamente, vejo rugas de expressão se formando nos cantos de seus olhos. "Não, Addy. Tomaremos muitas decisões juntos a partir de agora, então vai ser bom pra nós. Meus pais vão deixar o cargo em apenas dois meses. Já participei de inúmeras reuniões com o meu pai, aprendendo como lidar com os problemas. Acredita em mim, esse encontro com a Macie e a famÃlia dela é apenas o começo."
A porta da frente se abre e meu pai aparece na porta, espiando dentro do carro. Seu rosto lentamente se transforma em uma carranca quando ele vê o Drake no banco da frente e a Myra deslizando para fora do banco de trás.
"O que diabos você fez agora, ~rejeitada~? Deve ser algo muito ruim se o futuro Alfa teve que te trazer pra casa," ele começa a descer as escadas.
A porta do Drake se abre e seus pés atingem o chão com um baque surdo. Seus músculos ficam tensos enquanto ele se segura, lutando para conter a raiva. Essa é a primeira vez que ele ouve o meu pai falar assim comigo. Posso ver seu corpo tremendo ao ver o olhar malicioso do meu pai.
"Entra em casa agora. Você deve estar em apuros e vai ter a comida do dia negada assim que eu descobrir o que diabos você fez," diz o meu pai, dando dois passos à frente, mas parando abruptamente.
O Drake solta um rosnado tão forte que o chão estremece, levantando uma nuvem de poeira. A expressão do meu pai muda de ódio para pânico num instante.
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