Na manhã do dia seguinte, CecÃlia acordou já toda iluminada. Ela abriu os olhos e olhou ao redor do quarto estranho, demorando um bom tempo para se lembrar do que havia acontecido na noite anterior.
Ela virou a cabeça e viu que estava sozinha na cama.
Um pensamento súbito lhe ocorreu: Rodrigo teria pulado a janela e fugido?
Mas não, porque logo ela ouviu a sua voz.
CecÃlia seguiu a direção do som e viu o homem de costas para ela, parado na varanda, falando ao telefone.
Rodrigo, trajando um roupão de banho, tinha os ombros largos e a cintura fina, e suas pernas longas eram suficientes para fazer qualquer um ficar sem fôlego apenas com a visão de sua silhueta.
Ele perguntava a Iván: âQuanto tempo falta para o acordo com a famÃlia Ortega terminar?â
CecÃlia fez as contas na cabeça e percebeu que faltava um pouco mais de um mês.
Do outro lado da linha, Iván deu-lhe o número exato de dias.
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A voz de Rodrigo era apática: âEntre em contato com a famÃlia Ortega, vamos terminar o contrato mais cedo e resolver a papelada nos próximos dias.â
Ele pensava de forma muito simples: já havia dado à famÃlia Ortega o que devia, e embora nunca tivesse visto a Srta. Ortega e não sentisse nada por ela, deu respeito suficiente a esse casamento durante os três anos no exterior, sem desviar-se uma única vez.
Depois de retornar ao paÃs, ele foi forçado na primeira vez, mas agora, por qualquer que fosse a razão, ele havia quebrado o princÃpio da fidelidade mútua no casamento e não queria mais adiar a vida da Srta. Ortega.
CecÃlia viu a postura reta do homem e murmurou para si mesma: âCafajeste, mal dormiu comigo e já quer o divórcio!â
Enquanto ela resmungava, o homem já tinha terminado a chamada e entrado no quarto.
Com os olhares se cruzando, o homem estava tranquilo, enquanto CecÃlia tentava parecer composta: âVocê tem um pijama que eu possa usar?â
Não estavam em um hotel, a casa tinha uma decoração de tons cinza e branco, simples, parecendo ser um apartamento onde Rodrigo repousava ocasionalmente.
Rodrigo saiu e logo voltou com uma camisa branca nas mãos: âAlguém vai trazer algumas roupas daqui a pouco, pode usar isso enquanto isso.â
âOk, obrigada!â CecÃlia a*sentiu com a cabeça.
Rodrigo se virou, ouvindo o som suave de tecido se movendo atrás dele.
Um momento depois, a garota falou: âPronto!â
Ele se virou e viu CecÃlia sentada na cama, vestindo sua camisa, que era tão grande e larga que parecia engolir toda a sua figura.
Ela baixou a cabeça para arrumar a barra da camisa que estava debaixo do cobertor, e ao se inclinar, era possÃvel ver, através do decote espaçoso, manchas vermelhas na pele branca da jovem.
Rodrigo escureceu o olhar e desviou a vista, sentando-se no sofá em frente.
Depois que ela terminou de se arrumar, Rodrigo falou com um sorriso discreto: âBom, pelo menos não há choradeira.â
CecÃlia ainda poderia se manter os nervos, mas esse comentário a fez corar e seu coração se agitou, embora ela tenta*se não mostrar: âClaro que não, ainda tenho que agradecer ao Sr. Navarra pelo que fez.â
Rodrigo olhou-a com mais intensidade e seus lábios se entreabriram:
âQuanto tempo você planejou para isso?â
CecÃlia ficou atônita: âO quê?â
âDesde aquele dia em que nos cruzamos na escola, você me seguindo, até os nossos encontros posteriores e até o que aconteceu ontem à noite, tudo foi coincidência?â
A voz de Rodrigo não tinha nenhum tom de acusação ou frieza, era tão casual quanto perguntar a CecÃlia se Vicente estava se comportando bem nas aulas.
CecÃlia baixou os olhos e pensou por um instante; de fato, algumas coisas pareciam coincidir demais, como na noite anterior, para a qual ela não tinha explicação.
Rodrigo interpretou seu silêncio como uma confirmação e perguntou: âO que você quer?â
CecÃlia rapidamente olhou para ele: âNão vou fazer você se responsabilizar.â
Rodrigo riu com um sorriso malicioso: âVocê acha que estou tentando me esquivar da responsabilidade?â
Ele se levantou e caminhou até a cabeceira da cama, apoiou os braços ao redor de CecÃlia e se inclinou para perto dela, olhando-a fixamente: âGarota, o que você quer?â